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Periodontia

Arte conceitual de um dente sustentado por camadas minerais

A periodontia cuida da gengiva e dos tecidos que sustentam os dentes. Sangramento, retração e dentes que se movem merecem avaliação para definir prevenção, tratamento e acompanhamento.

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Retrato documental da doutora Silvana Puglisi

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Recepção ampla do Instituto com obra de Kobra
Lounge com poltronas verdes, obra de arte e jardim visível pelas portas de vidro
Dois consultórios odontológicos conectados por divisória de vidro
Corredor curvo com painel de madeira, iluminação âmbar e porta ao fundo

A gengiva é só a parte que aparece.

A periodontia cuida do conjunto de tecidos que envolve e sustenta os dentes. Entender essa base ajuda a explicar por que sangramento, retração e mobilidade não devem ser avaliados isoladamente. [2][3]

Gengiva
Forma a margem visível ao redor dos dentes e participa da proteção dos tecidos mais profundos.
Ligamento periodontal
Conjunto de fibras que conecta a raiz ao osso e participa da distribuição das forças.
Cemento radicular
Revestimento da raiz no qual se inserem fibras do ligamento periodontal.
Osso alveolar
Estrutura que circunda e oferece suporte às raízes dos dentes.

Sangrar não é normal só porque é comum.

Um sinal não fecha diagnóstico, mas muda a prioridade da conversa. Alguns problemas periodontais podem avançar sem dor intensa.

  • Sangramentoao escovar, usar fio dental ou espontaneamente
  • Inchaço ou mudança de corprincipalmente quando persiste ou retorna
  • Retraçãocom raiz mais exposta ou dente parecendo mais comprido
  • Mau hálito persistentequando continua apesar dos cuidados habituais
  • Mobilidade ou migraçãodentes que se movem ou mudam de posição
  • Desconforto ao mastigarsobretudo quando acompanhado de outros sinais

Sinais descritos em material informativo da European Federation of Periodontology. [1]

Gengivite e periodontite não são a mesma coisa.

As duas envolvem inflamação, mas diferem pelo comprometimento dos tecidos de suporte.

Gengivite

A inflamação está restrita à gengiva, sem perda de inserção periodontal decorrente de periodontite. O controle do biofilme e dos fatores relacionados pode devolver saúde clínica ao tecido. [2]

Periodontite

Há perda dos tecidos que sustentam o dente. O diagnóstico considera gravidade, complexidade, extensão e risco de progressão por meio de estágios e graus. [3]

Diagnóstico não cabe em um sintoma.

Arte conceitual de camadas que representam a leitura dos tecidos de suporte

A avaliação combina o que você percebe com o que os tecidos mostram. Histórico de saúde, medicamentos, tabagismo, controle glicêmico e cuidados diários também entram na leitura.

Exame periodontal
Observa placa, sangramento, profundidade de sondagem, retração, inserção, mobilidade e outros achados.
Imagem quando indicada
Ajuda a responder perguntas sobre o osso e outras estruturas. Não substitui o exame clínico.
Estágio e grau
Organizam severidade, complexidade e risco de progressão quando há periodontite. [3]

O tratamento acontece em etapas e muda com a resposta.

As diretrizes atuais organizam o cuidado de forma progressiva. Nem todas as pessoas precisam das mesmas intervenções. [4][5]

  1. Compreender o caso

    Queixa, expectativa, histórico de saúde, hábitos, higiene, dentes, gengiva e fatores que podem modificar o risco.

  2. Controlar inflamação e fatores relacionados

    Orientação individual de higiene, controle do biofilme e instrumentação profissional acima e abaixo da gengiva quando indicada.

  3. Reavaliar a resposta

    Sangramento, profundidades, higiene e estabilidade mostram o que respondeu e o que ainda precisa de atenção.

  4. Planejar etapas adicionais

    Cirurgias periodontais, tratamentos combinados ou reabilitação entram na discussão quando os achados e objetivos justificam.

  5. Manter e acompanhar

    A terapia periodontal de suporte ajuda a preservar os benefícios e identificar mudanças ao longo do tempo.

A boca participa da saúde inteira.

O plano periodontal considera fatores que modificam risco, resposta e manutenção. Eles não substituem o exame. Ajudam a interpretar o caso.

Tabagismo
É um modificador importante do risco e deve fazer parte do diagnóstico e da conversa sobre resposta ao tratamento. [6]
Diabetes
Controle glicêmico e condição periodontal se relacionam com o planejamento e o acompanhamento individual. [6]
Histórico de periodontite
Mesmo após o controle, indica necessidade de vigilância contínua e intervalos definidos pelo risco. [2]

Reavaliar faz parte do tratamento.

Arte conceitual de um ciclo de cuidado e acompanhamento periodontal

Periodontia não é uma sequência automática com linha de chegada. Cada retorno compara a condição atual com os registros anteriores e ajusta higiene, intervalo e necessidade de novas intervenções.

Mesmo quando a saúde clínica é restabelecida, a pessoa com histórico de periodontite continua com maior risco de recorrência e precisa de acompanhamento individualizado. [2]

Periodontia também cuida das margens.

Arte conceitual do contorno e suporte de um dente

Retrações podem expor a raiz, aumentar sensibilidade, dificultar higiene ou gerar incômodo estético. A causa, o tipo de tecido e a posição do dente mudam a indicação.

Procedimentos de plástica periodontal, recobrimento radicular, enxertos e aumento de coroa clínica entram na discussão em situações selecionadas. Quando existe restauração planejada, saúde, contorno e acesso precisam conversar. [6]

Para conhecer procedimentos de contorno, retração e volume, veja também Plástica gengival. A escolha depende do diagnóstico e da saúde dos tecidos.

Perguntas frequentes

Minha gengiva sangra ao escovar. Isso é normal?

Sangramento frequente merece avaliação. Ele acompanha diferentes condições, e o exame define a causa e a presença de perda de suporte.

Gengivite sempre vira periodontite?

Não. Gengivite e periodontite são condições diferentes. Inflamação gengival é um sinal importante, mas a progressão depende de suscetibilidade, biofilme, fatores de risco e tempo.

Retração gengival significa perda de osso?

Não necessariamente. Retrações têm causas e apresentações diferentes. A avaliação relaciona margem gengival, inserção, osso, posição dentária, higiene e sintomas.

Remover tártaro resolve qualquer problema periodontal?

Não. A instrumentação profissional é uma parte importante quando indicada, mas diagnóstico, controle diário do biofilme, fatores de risco, reavaliação e manutenção também fazem parte do cuidado.

Periodontite tem cura?

O tratamento busca controlar a doença e alcançar estabilidade clínica. Como o histórico permanece associado a maior risco de recorrência, manutenção e acompanhamento continuam necessários. [2]

O que é aumento de coroa clínica?

É um procedimento periodontal que modifica a relação entre gengiva, dente e, em algumas situações, osso. Pode ser considerado por razões restauradoras, funcionais ou de contorno, sempre após avaliação.

De quanto em quanto tempo devo fazer manutenção?

O intervalo não é igual para todos. Depende do diagnóstico, resposta ao tratamento, higiene, fatores de risco, condição dos tecidos e mudanças observadas nos retornos.

Referências bibliográficas

Fontes de apoio para as informações clínicas. Não substituem avaliação individual.

  1. European Federation of Periodontology. Check your symptoms. Informação para pacientes. Fonte oficial.
  2. Chapple ILC, Mealey BL, Van Dyke TE, et al. Periodontal health and gingival diseases and conditions on an intact and a reduced periodontium: Consensus report of workgroup 1 of the 2017 World Workshop. Journal of Periodontology. 2018, 89(S1), S74–S84. PMID 29926944. DOI 10.1002/JPER.17-0719.
  3. Papapanou PN, Sanz M, Buduneli N, et al. Periodontitis: Consensus report of workgroup 2 of the 2017 World Workshop. Journal of Periodontology. 2018, 89(S1), S173–S182. PMID 29926951. DOI 10.1002/JPER.17-0721.
  4. Sanz M, Herrera D, Kebschull M, et al. Treatment of stage I–III periodontitis: The EFP S3 level clinical practice guideline. Journal of Clinical Periodontology. 2020, 47(S22), 4–60. PMID 32383274. DOI 10.1111/jcpe.13290.
  5. Herrera D, Sanz M, Kebschull M, et al. Treatment of stage IV periodontitis: The EFP S3 level clinical practice guideline. Journal of Clinical Periodontology. 2022, 49(S24), 4–71. PMID 35688447. DOI 10.1111/jcpe.13639.
  6. Jepsen S, Caton JG, Albandar JM, et al. Periodontal manifestations of systemic diseases and developmental and acquired conditions: Consensus report of workgroup 3 of the 2017 World Workshop. Journal of Periodontology. 2018, 89(S1), S237–S248. PMID 29926943. DOI 10.1002/JPER.17-0733.

Leituras complementares

  1. Gum Disease Information. American Academy of Periodontology. AAP (2024). . Fonte oficial
  2. Classification and diagnosis of periodontal diseases. Caton JG et al.. Journal of Clinical Periodontology (2018). (DOI: 10.1111/jcpe.12945). DOI 10.1111/jcpe.12945

Cuidar da gengiva começa pela avaliação.

Conte quando os sinais começaram, como são seus cuidados diários e o que mudou. A avaliação organiza saúde, tecidos, objetivos e acompanhamento antes de escolher um procedimento.

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